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domingo, 20 de maio de 2007

O Jurista e a Corrupção

A reportagem, “Corrupção está associada à cultura da impunidade”, na página 12 do jornal O Globo, deste domingo 20.05.2007, traz uma declaração, pra lá de interessante, do jurista Dalmo Dallari.

Quase no final do texto, assinado por Cláudia Lamego e Tatiana Farah, aparece uma declaração do tão ilustre cavalheiro, rabulão emérito da nossa magnífica legislação.

Afirma o distinto causídico: – “Corrupção não é do brasileiro. É um produto da nossa história. Isso tem raízes no sistema colonial. É o velho coronelismo”.

– Brilhante! Sensacional! Mais extraordinário que isso, só aquele banco que dá dez dias sem juros.

Não fosse esta declaração assaz burra e estrambótica, a relevância ajuizada e até, razoavelmente, fundamentada dos demais especialistas consultados pelas jornalistas, a reportagem em si fluiria com um déjà vu que todos conhecemos, mas milhões relutam admitir.

Entretanto, como todos sabem, o sr. Dalmo Dallari, amigo do sr. Silva e de notórios, como ele, de letras dobradas, integrantes do Pega Tudo, já está no inverno da vida; haverá, pois, que perdoá-lo por tais palavras.

Infelizmente, eu, um "reacionário demente", como vocês me elogiam, diante das quatro afirmações lidas, dou-me conta que o sr. Dallari passou pela vida e, dela, nada aprendeu ... Ou será que a vida passou por ele e nada lhe ensinou?

Em ambos os casos, sendo eu um reacionário, não posso deixar de lastimar... de reaccionar ou deveria reagir?

Pela idade, é compreensível que o sr. Dallari repita a velha lenga-lenga dos pobres de espírito e haja esquecido que o Brasil tem 500 anos de história e 185 de independência.

Pois é... desde 7 de setembro de 1822, [eu lembro da data], nós brasileiros, como ele, fomos, temos sido e continuaremos a ser incapazes de acabar com a corrupção deixada pelos portugueses, holandeses, franceses e ingleses..., devido ao “produto da nossa história”.

Diante de um “produto” assim, salta à vista que devemos atribuir a culpa da sua origem a quem nos colonizou.

Não podemos nos culpar pela nossa venalidade congênita, nem pela nossa preguiça acintosa; menos pela falta de escrúpulos nacional em deixar para amanhã o que pode ser feito hoje.

Em tempo algum poderemos culpar-nos pela nossa falta de competência, de sentido cívico ou de zêlo comunitário.

Atos de contrição pela nossa ética etérea ou tão somente sazonal, nem pensar!

Isso é axiomático!

Alguém já ouviu falar do jeitinho brasileiro. Eu nunca ouvi! Nem sei o que é isso.

O "jeitinho" é coisa de português! De quem, se não?

Isso é dos Portugueses, pois foram os que mais corromperam por cá, que criaram a SUDENE [Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste] em 1959; a SUDAM [Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia], em 1966; a INFRAERO [Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária] em 1972; o Banco BAMERINDUS; o banco ECONÔMICO, a caderneta de POUPANÇA DELFIM; a LUTFALA; a ATALLA; a CAPEMI; a BRASILINVEST; a COROA-BRASTEL; a ELETRONORTE; o FGTS; a VASP; o INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Previdência Social); o RESTAURANTE GULLIVER (tentativa do governador Ronaldo Cunha Lima em matar o governador antecessor Tarcísio Burity, por causa das denúncias de Irregularidades na SUDENE da Paraíba); do BNDES (aquelas verbas para “socorrer” ex-estatais privatizadas); do BANESPA; o ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO, e as façanhas escabrosas dos anões do orçamento que vieram à tona entre 1989 e 1993; o assassinato do CELSO DANIEL; o PROPRINODUTO (também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha); o DNIT (envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel); o dos GAFANHOTOS, e tantos outros que eu ficaria aqui o dia inteiro só para listá-los.

Foram também os nossos colonizadores culpados, todos eles, com sobrenomes Silva, Soares, Pereira, Palloci, Lorenzetti, Genoíno, Buratti, Suplicy, Mercadante que criaram o PT [Partido dos Trabalhadores] a agremiação política atual, tão ao gosto e simpatia do sr. Dallari.

Foram os colonizadores que incutiram nesses elementos os pensamentos de esquerda, quase fanáticos, pró-trabalhadores, em defesa do patrimônio nacional, contra o FMI e juros altos, etc.

Foram esses colonizados, "produtos da nossa história", que passaram mais de vinte anos alardeando serem os mais éticos entre os éticos de todos os partidos, [honestidade, lisura e fair-play eram as suas palavras de ordem], os quais, uma vez no poder, o primeiro ato de Estado do “seu” Silva, em 2003, foi comprar lençóis e toalhas de algodão egípcio, importados da origem, pois o nacional era ruim demais.

Foi saquearem velhacamente o Banco do Brasil por meio de empréstimos espúrios e pagamentos de notas fiscais frias.

Foram os colonizadores, certamente, que obrigaram esses pobres colonizados, em 2005 e 2006, para que conseguissem e proporcionassem a maior avalanche de corrupção ativa e passiva, escondida e aberta, jamais vista, algum dia, em todo o território nacional.

Para o sr. Dallari, [foto aqui do lado esquerdo], a culpa da corrupção é dos colonizadores.

Foram eles, [mas que safadinhos!], que corromperam os lúdicos trabalhadores e puseram dólares na cueca do inocente petista; encheram bolsas de dinheiro sem origem; violaram a conta bancária de um aprendiz de caseiro e transformaram hospitais, referências na América latina, em sucatas do atendimento...

Certamente, foram eles, os colonizadores, que fizeram o sr. Silva, [apesar deste ser uma pessoa centralizadora, quando comandava o partido], uma vez na presidência da república, alegar completo desconhecimento ou, sequer saber das falcatruas dos aloprados partidários.

Foram, certamente, os colonizadores que fizeram o mesmo sr. Silva rasgar todas as suas convicções, e, certa feita, numa visita à Venezuela, afirmar, categoricamente, que jamais havia sido um homem de esquerda.

Foram os colonizadores que fizeram o sr. Silva abandonar todos os seus correligionários, amigos de todo o sempre, à imprensa gulosa e estrábica...

Só podem ter sido eles, os colonizadores, os coronéis, o produto da nossa história!

Isso jamais poderia ser ou foi coisa de brasileiro!!!

Brasileiro que se preze, é honesto, honrado, não mente, não rouba, não trai, não dá propina ao guarda de trânsito, não compra juizes, nem sentenças judiciais; não adultera balaços da empresa, nem suborna fiscal municipal, menos ainda federal. Brasileiro não sonega impostos, não fura a fila, não “mata” a avó, pelo menos três vezes por ano, para faltar ao trabalho; não adultera receitas médicas, nem pede, no restaurante nem no posto de gasolina, uma nota fiscal com valor maior àquele que gastou, se é que gastou.

Brasileiro, brasileiro mesmo, não come em supermercado, nem bebe whisky [às escondidas] na casa dos outros.

Brasileiro é ético por natureza; acredita e professa ética como filosofia de vida; vota com consciência e lembra-se em quem votou; regularmente cobra do seu deputado ações práticas e é atendido.

Brasileiro, jus sanguinis, preocupa-se mais com a falta do professor na escola do filho do que com o risco que lhe fizeram no carro.

Brasileiro, de verdade, possuiu sentido cívico e comunitário; quando viaja não corre para o banheiro do avião para roubar os sabonetes; nos hotéis não escreve nas paredes nem nos elevadores: "eu estive aqui"; tampouco furta toalhas ou talheres.

Brasileiro, na cidade onde mora, não joga lixo na rua, nem sofá no meio do rio.

Brasileiro não é racista e defende com afinco um sistema de cotas raciais nas universidades.

Brasileiro é politizado e demonstra forte nacionalismo equânime, até durante as Copas Mundiais de Futebol; é o ano inteiro a respirar nacionalismo, mesmo quando entregam, de graça, patrimônio nacional a país estrangeiro.

Brasileiro não é grileiro, [Indivíduo que procura apossar-se de terras alheias mediante falsas escrituras de propriedade], nem corrompe políticos sanguessugas ou mensaleiros... nem se deixa corromper... em sonhos.

Por fim, olvida o nobre rábula que a corrupção está em ascensão, não só no Brasil. O PT, de quem tanto o sr. Dallari gosta, que o diga.

Seria bom o ilustre causídico sentar com os fundadores do partido para relembrarem os achaques às empresas e outras coisitas mais que hoje sabemos.

Não surpreende que tais senhores, de defensores da ética e da honradez, hajam se transformado em pau de galinheiro; de tanto aloprado com dólar na cueca, dossiê forjado, contas em paraísos fiscais, contratos viciados, e, o pior de tudo, por tanto mentirem para uma população que acreditou que tais sujeitos poderiam mudar “estepaiz” .

De tão idoso e cínico, o Sr. Dallari esquece também de olhar para cima.

Se levantasse os olhos poderia ver que nos Estados Unidos da América e na maioria dos países europeus, onde, não tem muito tempo, casos de corrupção só apareciam de décadas em décadas, hoje surgem, diariamente, às centenas, estampados nos jornais.

O sr. Dallari, de tão puro, esquece que o capitalismo globalizado e, ademais, canibal, é o forte incentivo para a cobiça humana.

Em pleno século XXI, atribuir culpas aos colonizadores pela corrupção brasileira, que “nestepaiz” é endêmica, é, sem dúvida, a afirmação mais néscia que já li.

É tão beócia que coloca a obra escrita do seu autor no campo das que devem ser questionadas.

Mas, pensando bem, vivendo eu num establishment verde-amarelo, sou forçado a dar razão ao sr. Dallari com dois “L”!

Entretanto, é ótimo que o meu nome, Félix, tenha só um “X”; mas Jarreth tem dois “R”.

Ter letra dobrada no nome começa a ser perigoso. Posso ficar contagiado por essas caricaturas à brasileira, cujas consciências falsas saem pelas bocas em jorros de hipocrisias.

Amanhã mesmo vou entrar com o pedido junto ao Registro Civil para tirar um dos “R”.

Quanto será que o juiz irá me pedir para dar “um jeitinho” no “R”?

Pago ou não Pago? Oh... que dolorosa questão.

- Já sei, vou falar com o assessor, do assessor-do-assessor-do-assessor-do-assessor do juiz, que é irmão dele por parte de mãe, o qual, por uma bela garrafa de cachaça, dará um jeitinho...


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